China enfrenta nova onda de Covid-19: como a logística internacional está sendo afetada?

Com o surgimento de novos casos de Covid-19, Xangai vem enfrentando diversas restrições desde o início deste mês para conter o avanço do vírus. Xangai é um dos principais pólos comerciais do mundo, com cerca de 25 milhões de pessoas, e a paralisação de suas atividades impactam rapidamente toda a logística global. Algumas medidas extremas têm sido tomadas na cidade, como no último final de semana, quando as autoridades locais isolaram as entradas de condomínios e fecharam ruas inteiras impedindo a circulação das pessoas.

Com toda essa movimentação em Xangai, a capital chinesa, Pequim, também vem se preparando para um possível lockdown deste nível. Segundo alguns relatos, supermercados da capital já enfrentam falta de alimentos pois a população vem estocando produtos.

Comércio exterior

Além de ser um dos principais centros financeiros do mundo, Xangai também possui uma grande importância para o Comércio Exterior, possuindo um dos maiores portos do mundo em termos de movimentação de cargas. No ano passado, o Porto de Xangai foi responsável por 27% das exportações totais do país. Com o confinamento, entretanto, o acesso de veículos para levar ou buscar mercadorias até o porto está bem complicado, fazendo com que indústrias como Volkswagen e Tesla interrompam suas atividades.

Essa foi a imagem do Porto de Xangai divulgada neste mês de abril, mostrando o acúmulo de navios ao redor do local.

O Porto já registra uma redução de 30% de produtividade e quase metade dos caminhões para carregar os descarregar mercadorias não estão operando, o que afeta a cadeia de suprimentos global com diversos atrasos assim como ocorreu no início da pandemia. Estima-se que até o final do semestre os efeitos do congestionamento ainda durarão. Alguns armadores, como a Maersk, já informaram que irão excluir o Porto de Xangai de suas rotas.

Impactos no Brasil

Sabemos que a China é a nossa principal parceira comercial há anos, No ano passado, mais de 30% das nossas exportações foram para a China e 21,7% de tudo que importamos também foi de origem chinesa.
Com isso, as indústrias brasileiras já demonstram preocupação com o lockdown em Xangai, que pode gerar um grande desabastecimento de insumos e componentes essenciais para a fabricação de diversos produtos no nosso país. Desde 2020, a indústria no geral vem sofrendo com a falta de chips semicondutores, que são utilizados em diversos setores da economia. A indústria automobilística vem sofrendo bastante com essa crise e com todo esse caos em Xangai, outros setores também podem ser afetados (como o agronegócio e o farmacêutico).

O preço do frete marítimo internacional, que registrou valores recordes durante a pandemia, mostrava sinais de baixa. No entanto, com essa nova onda, o aumento geral nos custos já vem sendo notado, reflexo da lei básica da economia: quando há pouca oferta de um bem e muita demanda, consequentemente, o valor por esse bem tende a subir.

Iara é graduada em Relações Internacionais e Comércio Exterior é produtora de conteúdo
da página ComexLand, possui experiência de mercado na área comercial, de logística e
importação.

Iara Neme

Graduada em Relações Internacionais e Comércio Exterior. Produtora de conteúdo na página ComexLand com experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.