Frete marítimo da Ásia: como está o cenário em 2021?

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, tanto na importação quanto na exportação. Em 2020, o gigante asiático representou 33,6% de todas as exportações brasileiras e 21,8% de todas as importações. Porém, desde o início da pandemia provocado pelo novo Coronavírus, os valores de frete internacional para a rota China-Brasil dispararam e seguem preocupando os players da área. Neste artigo vamos analisar como está o cenário atual dos fretes marítimos da Ásia para o Brasil.

Contextualização Ásia-Brasil

Antes de analisarmos o cenário atual, vamos entender um pouco sobre a relação do Brasil com Ásia e como o alto valor dos fretes pode influenciar a economia brasileira. Os principais países asiáticos que importam e exportam produtos para o Brasil são: China, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Malásia, Vietnã, Indonésia, Índia, Hong Kong e Tailândia.

Os principais produtos importados da Ásia para o Brasil são do grupo da indústria da transformação (válvulas e tubos, equipamentos de telecomunicação, partes e acessórios, máquinas e eletrônicos e muitos outros). Já o Brasil é um grande exportador para a Ásia de produtos agropecuários (soja, milho, tabaco) e da indústria extrativa (minério de ferro e óleos brutos de petróleo ou minerais betuminosos).

Entende-se que, por se tratar de insumos necessários na economia, as negociações entre Brasil e Ásia são muito importantes para ambas regiões.

Cenário e histórico da alta de fretes no Brasil

Como já mencionado no artigo “Frete marítimo na importação: como está o cenário?”, desde 2017 o frete saindo da Ásia com destino ao Brasil já era considerado um dos mais caros do mundo: quase o dobro da rota da Ásia para a Costa Leste dos Estados Unidos, fato justificado no texto pela falta de infraestrutura de portos brasileiros, baixa demanda de importações da época e redução dos serviços de navegação. Mas o que nenhum player brasileiro esperava era que o frete pudesse chegar aos USD10 mil por TEU (medida padrão equivalente a um contêiner de 20 pés).

Em janeiro de 2021 isso aconteceu. O frete marítimo para a rota China-Brasil quintuplicou e chegou nos três dígitos.

É um nível histórico, nunca tinha visto o frete alcançar esse valor”.
Luigi Ferrini, VP Sênior da Hapag-Lloyd no Brasil.

A disparada aconteceu não só na rota para o Brasil, mas também para os Estados Unidos e Europa.

Por que o frete internacional saindo da Ásia ficou tão alto?

A China é considerada a fábrica do mundo, quando com as medidas de isolamento social provocadas pelo Coronavírus todo o mundo parou, empresas deram férias coletivas, suspenderam a produção e deixaram de importar e, como estratégia, usaram seus estoques para não faltar produtos no mercado. Nesse período crítico, armadores também optaram por realizar blank sailings, ou seja, omitir rotas e parar apenas em alguns portos.

Com a recuperação da economia global, países de todos os continentes voltaram a demandar produtos provenientes do gigante asiático. Como a lei da procura e oferta sugere, com o aumento da demanda por produtos chineses para repor estoques, houve a tentativa de controle por parte de armadores, que aumentaram o preço do frete internacional e até declinaram BIDs.

Muitos players também se viram no “efeito substituição” (o frete aéreo também sofreu um aumento de 200% fazendo com que a estratégia de modais migrasse para o modal marítimo, aumentando ainda mais a demanda neste).

Com Europa, Estados Unidos e Brasil disputando os fretes internacionais, mais um problema surgiu: a falta de container. Situação que já não era novidade, mas que após o encalhe do navio Ever Given no Canal de Suez, passou a preocupar ainda mais.

Leia mais: Bloqueio no Canal do Suez congestiona o comércio exterior

Tim Huxley, presidente do conselho de administração da Mandarin Shipping Ltd., de Hong Kong disse que “em termos de comparação, se você colocar todos os 20 mil contêineres do “Ever Given” [em aviões], você precisaria de 2,5 mil aviões de carga [Boeing] 747s”.

E não podemos ignorar a real situação do Coronavírus que ainda preocupa o mundo, suspendendo operações, cancelando voos e deixando navios em quarentena ainda hoje.

Perspectivas de normalização do frete marítimo internacional:

Para falarmos sobre as perspectivas de normalização dos preços de frete internacional Ásia-China, o blog da Log entrevistou Jociano Motta, CEO da Cheap2Ship, plataforma de negociação de fretes internacionais.

Jociano, você acompanhou de perto o aumento drástico no valor do frete marítimo (China-Brasil). Na sua experiência, já tinha visto algo parecido?

Desde que atuo no Comex e por conversas com outras pessoas que já estão há mais tempo no ramo, nunca presenciamos um valor tão alto de frete como o que aconteceu recentemente. Realmente foi algo que pegou muita gente de surpresa e desestabilizou toda a logística internacional como nunca antes.

– Quais foram os maiores desafios nesse período para os players do Comércio Exterior?

Além do fator ‘preço’, que em algumas rotas quadruplicou, ocorreram também falta de espaço em aeronaves, falta de equipamentos (container) em diversas rotas, falta de espaço em navios, problemas operacionais (pois diversos navios com casos de tripulação contaminada pela Covid-19 ficaram em quarentena), entre outros problemas que pouco eram vistos antes da pandemia.

Quais as maiores dificuldades em transmitir o aumento do frete internacional a importadores e exportadores?

Muitas pessoas não entendem que no frete internacional a dinâmica de valores é totalmente diferente de um frete nacional rodoviário, por exemplo. Aqui calcula-se o valor do combustível, depreciação do caminhão, depreciação dos pneus, pedágios e outros custos para se determinar o valor do frete rodoviário. No internacional, além da questão combustível, equipamento e outros custos, também existe a questão da falta de espaço, da pouca disponibilidade de equipamento (que acontece automaticamente com aumento de demanda) e da falta de oferta: os valores sobem e são atualizados de forma quinzenal. E quando os importadores e exportadores demoram muito a tomar uma decisão acabam pagando mais caro em seus fretes e terminal por achar que o prestador de serviço agente de carga, por exemplo, é o culpado por tal custo elevado.

Como a tecnologia pode ajudar os players nos próximos anos?

Principalmente na tomada de decisão de forma mais rápida e assertiva. A tecnologia hoje veio para, acima de tudo, trazer agilidade e praticidade no dia a dia das empresas. Cotar um frete por meios tecnológicos, auxiliar as empresas a, por exemplo, reduzir custos ao mesmo tempo em que encontra um fornecedor com espaço disponível para aquele embarque urgente, a conseguir negociar os fretes com fornecedores e encontrar aqueles valor que, mesmo alto, garante que seja o melhor negócio possível dentro das condições que o momento impõe.

Existe perspectiva de normalização do frete internacional Ásia-Brasil via modal marítimo?

Infelizmente apenas para meados de 2022. A pandemia ainda se estenderá por 2021 em diversas localidades até que a maioria dos países tenha sua população vacinada, então teremos que conviver com essa oscilação de valores de forma constante. Lembrando que são apenas previsões de mercado. As chances são remotas, mas não seria impossível da situação melhorar antes disso num cenário extremamente favorável.

Como superar altos valores do frete internacional?

Existem algumas estratégias que podem ajudar os players do Comércio Exterior que estão enfrentando os desafios citados neste texto:

  • Planejamento antecipado das importações, entender oferta e demanda a fim de calcular o investimento do frete internacional e assim garantir uma logística antecipada;
  • Acompanhamento semanal dos valores de frete com o agente de carga;
  • Revisão de custos logísticos e buscar soluções de redução de custos;
  • Estudar diferentes opções de rotas;
  • Uso da tecnologia a seu favor: ela ajuda importadores a reduzirem custos de importação, compararem os custos praticados no mercado, analisarem oferta e demanda e oferecerem informações sobre as principais rotas praticadas. Solicite seu trial.

Artigo escrito por Kauana Benthien A. Pacheco para a LogComex

Kauana é formada em Negócios Internacionais e é pós-graduanda em Big Data & Market Intelligence. É consultora de marketing para empresas de Comércio Exterior na ComexLand.

Kauana Pacheco

Kauana é formada em Negócios Internacionais e é pós-graduada em Big Data & Market Intelligence. Kauana é a fundadora da ComexLand, onde atua como especialista em marketing focado para empresas do Comércio Exterior e Logística Internacional.

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