O seguro internacional de cargas é opcional?

Imagine a seguinte situação: você está exportando sua mercadoria para um cliente na África.

A mercadoria chega no destino, mas de repente você recebe um e-mail dizendo que metade da carga chegou molhada e está inutilizável.

O que você faz? Quem deve arcar com os prejuízos? Como descobrir quem é o responsável?

Na prática, o seguro internacional de cargas é facultativo. No entanto, para quem aprecia uma operação bem-feita e preza pela diminuição dos riscos, podemos dizer que ele é completamente obrigatório.

Para contratar o seu seguro, a empresa deve ser estabelecida no Brasil, conforme pede a legislação. No transporte internacional de cargas, a cobertura do seguro se baseia na negociação do Incoterm e modal escolhidos para a operação.

Dessa forma, é muito importante entender que, para uma operação de comércio exterior funcionar, precisamos saber que o princípio de tudo está na negociação, onde são definidas as responsabilidades de cada um. É crucial que todos os envolvidos entendam o que cada termo significa e qual a sua incumbência nisso, para em casos como o citado acima, seja possível rastrear quem deve acionar o seguro para a sua carga que chegou molhada.

Podemos citar como exemplo uma importação prepaid, CIF/CIP. Neste tipo de operação, o importador não tem contato com a seguradora, sendo somente o beneficiário, pois a responsabilidade de contratação é do vendedor. No entanto, é fundamental que seja analisado qual a cobertura desse seguro. Não é incomum em uma venda com Incoterm prepaid o exportador contratar um seguro básico que não cobre todos os tipos de danos.

Caso você queira se assegurar que analisou todo o gerenciamento de riscos, pode ser necessário estudar se não vale mais a pena contratar por conta própria, ou alterar o Incoterm.

No entanto, por onde começar? Com quem devo falar? Como decidir qual o melhor tipo de seguro?

Cada seguro possui uma cobertura específica, dessa forma, o ideal é que seja analisada a natureza da sua carga e o valor, para então conseguir avaliar qual apólice condiz com a sua operação. Recomenda-se contactar especialistas para que possam lhe orientar da melhor forma possível: seguradoras, corretoras e agentes de carga que oferecem o serviço.

Portanto, lembre-se: não é possível controlar todas as etapas de uma operação no Comércio Exterior. Planejamento, conhecimento e organização são importantes, mas não trabalham sozinhos sem a tranquilidade que a prevenção lhe traz.

Julia Caetano é formada em Relações Internacionais pela ESPM Rio e cursa pós-graduação em Gestão de Projetos. Amante do mercado externo, trabalha na área há 4 anos, além de ser produtora de conteúdo para o ComexLand.

Kauana Pacheco

Kauana é formada em Negócios Internacionais e é pós-graduada em Big Data & Market Intelligence. Kauana é a fundadora da ComexLand, onde atua como especialista em marketing focado para empresas do Comércio Exterior e Logística Internacional.